A Universidade Federal da Integração Latino-Americana (UNILA) recebeu a primeira patente de invenção de sua história. O reconhecimento foi concedido pelo Instituto Nacional da Propriedade Industrial (INPI) para uma tecnologia desenvolvida pelo pesquisador Oswaldo Hideo Ando Junior, voltada à melhoria da qualidade da energia elétrica.
Na prática, a invenção funciona como um sistema inteligente capaz de identificar problemas na rede elétrica e fazer ajustes automáticos para melhorar seu funcionamento. Isso ajuda a evitar falhas, desperdício de energia e até danos em equipamentos elétricos.
Segundo o pesquisador, a qualidade da energia elétrica não depende apenas de ela chegar aos aparelhos. É preciso que a energia tenha características adequadas para que tudo funcione corretamente. Quando isso não acontece, podem surgir problemas como superaquecimento, perda de desempenho e mau funcionamento dos equipamentos.
O reconhecimento representa um marco para a Universidade e também consolida um caminho de proteção da propriedade intelectual que, segundo a pró-reitora de Pesquisa e Pós-Graduação, Kátia Punhagui, pode estimular novos pesquisadores a transformar resultados de pesquisa em tecnologias protegidas e, futuramente, em soluções para a sociedade.
“É um feito da universidade. Mostra que hoje nós temos um caminho aberto para novos inventores”, afirma a pró-reitora. Segundo ela, a experiência também demonstra que os pesquisadores podem contar com suporte institucional ao longo desse percurso. “O professor não está sozinho nesse processo”, destaca, em referência à atuação do Núcleo de Inovação Tecnológica e Social (NIT).
Da pesquisa à tecnologia
A proposta desenvolvida na pesquisa foi criar um sistema capaz de monitorar continuamente as condições da rede elétrica e adaptar automaticamente sua atuação. A solução pode selecionar, combinar, conectar ou desconectar diferentes filtros de acordo com a situação identificada.
“Em vez de termos apenas um filtro fixo, desenvolveu-se um conceito de um sistema inteligente e reconfigurável de adequação da QEE”, explica Ando Junior.
A patente prevê o monitoramento de parâmetros como tensão, corrente, fator de potência e distorções harmônicas. A partir dessas informações, o sistema identifica as condições da rede e define a configuração mais adequada dos filtros. Também são realizadas medições antes e depois da atuação, permitindo verificar o resultado da correção.

Para o inventor, a concessão da patente mostra que a inovação exige dedicação e persistência, além de aproximar a pesquisa acadêmica do setor produtivo. O próximo passo é buscar oportunidades para que a tecnologia possa ser utilizada pelo mercado e gere benefícios concretos para a população.









