As experiências de migração de mulheres da Argentina, do Brasil, da Colômbia e da Venezuela são retratadas no livro Escrever o desarraigo: narrativas de mulheres migrantes, produzido a partir de um projeto de extensão da UNILA. A publicação reúne poemas e narrativas sobre os desafios de viver entre diferentes países, línguas e culturas.

A proposta era transformar experiências pessoais em narrativas literárias, com liberdade para escrever em português, espanhol ou portunhol.
“A ideia era propor uma escrita em que a gente não se agarrasse a seguir uma norma, mas que a língua fluísse de acordo com a temática, a criatividade e o encontro proposto”, explica Jorgelina.
Para a argentina Fabiana Monti Audero, jornalista que vive no Brasil desde 2015, participar das oficinas foi uma oportunidade de olhar para a própria trajetória.
“Uma das descobertas mais fortes foi me reconhecer como migrante. Mesmo sendo argentina e morando há onze anos no Brasil, ainda não tinha percebido isso de forma tão intensa”, conta. Atualmente professora de espanhol em Porto Alegre, Fabiana encontrou na escrita uma maneira de refletir sobre os vínculos afetivos construídos entre os dois países.
A colombiana Lizeth Cuervo também encontrou nas oficinas um convite para olhar para si mesma. Natural de Bogotá, Lizeth veio para o Brasil em 2019 para cursar Ciência Política e Sociologia na UNILA. Atualmente, ela atua como coordenadora de uma organização social em Florianópolis. Em um dos textos publicados, escreveu uma carta para a mulher que era antes de migrar, reconhecendo os medos e a coragem de deixar seu país.
“Às vezes, na pressa de viver, a gente não para para refletir sobre essas vivências”, observa. Para ela, a convivência entre o português e o espanhol também transformou sua identidade. “As palavras têm um poder grande e carregam nossa vida. Elas reafirmam minha identidade e constroem minhas versões.”
Para a professora Jorgelina Tallei, a literatura possibilitou que as participantes refletissem sobre suas experiências e seus lugares no mundo, sem precisar escolher uma língua única.
“Não foi uma escolha pensada, foi uma escolha que se foi dando no processo, de não escolher ou não adotar uma língua e preferir as misturas, e não uma língua única”, explica.
Segundo ela, essa liberdade de expressão permitiu que as narrativas fossem construídas a partir das diferentes vivências, memórias e referências culturais de cada mulher.
Publicado pela editora Letraria, a obra está disponível gratuitamente em formato digital em https://www.letraria.net/escrever-o-desarraigo.
Inscrições abertas para nova etapa
O projeto terá continuidade em uma nova etapa, agora aberta a todas as mulheres interessadas em escrever sobre suas próprias experiências. O primeiro encontro será realizado em 11 de novembro, e as inscrições gratuitas podem ser feitas por meio de formulário online.












